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Receita de Moda

Receita de Moda

O experiente fotógrafo Danilo Russo ensina diversas formas de iluminação na fotografia de moda em ambiente externo, locação e em estúdio. Por Tales Azzi, publicado na revista Fotografe Melhor.

Na fotografia de moda a iluminação tem uma função maior do que apenas mostrar a modelo e a roupa: serve para criar “clima” que o fotógrafo pretender dar ao ensaio. Por isso, antes de decidir a iluminação, é preciso pensar na “ideia” do trabalho (o briefing). Na forma de trabalhar a luz é possível, por exemplo, criar uma atmosfera de felicidade, de sensualidade, de aconchego, de agustia…

O que não é uma tarefa complicada de ser feita com um pouco de sensibilidade, explica o fotógrafo de moda Danilo Russo. “A solução de iluminação é geralmente simples, aproveitando a luz natural e a iluminação de ambientes internos”, diz;

Russo ensina que um ambiente de felicidade, por exemplo, pode ser criado em externas ou interiores muito iluminados, com grandes janelas, cores claras e sombras bem suaves. A sensação de aconchego pode se produzida em um ambiente interno, com uma luz em ângulo de 45º e que chega baixa, simulando a iluminação de um abajur, com um fundo um pouco mais escuro e com tonalidade quente criada por luz de tungstênio..

Já um sentimento de angústia surge com uma luz fria, muito difusa, de cima para baixo, criando sombras embaixo dos olhos da modelo e com uma sombra de parede ou de uma grade projetada no fundo. As cores das roupas e do cenário, a produção, a maquiagem e a atitude da modelo são os outros recursos dos quais o fotógrafo dispõe para chegar a ideia que tem em mente.

De modo geral, Russo afirma que a iluminação suave é a melhor opção em moda, pois garante o contraste e a textura adequada para a roupa e a pele da modelo. A luz suave que incide em ângulo de 45º, por exemplo, tipica de um retrato clássico, dá volume ao rosto e ao corpo da pessoa, criando um aspecto natural da imagem com sensação de profundidade. A luz frontal achata o volume por não deixar sombras, mas garante maior visibilidade à figura da modelo. É muito usada em fotos de beleza para anúncio de cosmético e para capa de revista.

Danilo Russo selecionaou algumas imagens realizadas com diferentes esquemas de iluminação, ensinados em cursos de fotografia de moda que ministra em São Paulo (SP). Entre as principais “receitas”: externa com luz natural, locação com luz ambiente, flash rebatido, contraluz como luz principal, luz contínua e uso de hazy em fotos de beleza.

Luz Natural

danilo_russo-23Nestas duas imagens, Russo aproveitou a luz natural sem usar rebatedores – aliás, raramente usa. A foto à esquerda foi feita em um dia de céu nublado com uma pentax 645 e objetiva 80mm. Já a imagem à direita foi captada com a mesma Pentax 645, com lente 165mm, luz de final de tarde, com o sol em ângulo de 30° à direita.

Segundo Russo, nas sessões de fotos em externa, a melhor opção é trabalhar com sol direto entre 7h e 10h ou 16h e 18h. Nas horas centrais do dia, pode-se colocar a modelo na sombra clara de um prédio ou uma árvore, ou fotografar em contraluz, o que garante uma iluminação suave no rosto e um halo de luz nos cabelos.

“Só que a contraluz rem sido pouco usada ultimamente, parece que saiu de moda”, afirma. Outra opção com o sol forte e a pina é o uso do difusor, que pode ser improvisado com um lençol branco bem fino e suspenso sobre a modelo como uma tenda.

Locação e luz ambiente

danilo_russo-55captura-de-tela-292Em ambientes internos, a luz que entra por janelas e portas, muitas vezes, já garante uma ótima iluminação, suave e equilibrada. É o caso da imagem abaixo, à direita, em que a modelo está de frente para duas grandes janelas. A luz incide em ângulo de 45º, o que dá sensação de volume e relevo ao assunto. A segunda janela ilumina o fundo, aumentando a sensação de profundidade.

Danilo Russo explica que as locações com muitas e grande janelas são excelentes opções porque deixam todo o ambiente bem iluminado. A dica é posicionar a modelo de forma que a luz incida em ângulo de 45, nunca frontal, para dar mais volume ao assunto. Não hesite em arrastar um sofá, uma mesa ou cadeiras se for preciso construir um cenário melhor.

A luz da janela também pode ser combinada com a iluminação das lâmpadas do ambiente. Se o fundo estiver um pouco escuro, por exemplo, uma solução é acender as luzes somente no fundo, o que cria um ambiente mais agradável e aconchegante. Caso a luz seja insuficiente, pode ser combinada com a luz disponível no lugar. Foi o que o fotógrafo fez na imagem abaixo, à esquerda, na qual a modelo foi fotografada em um vestiário feminino iluminado por pequenas janelas bem altas e por lâmpadas do tungstênio.

Russo conta que estava fotografando em outra direção, quando no momento de trocar o filme da Pentax 645 com objetiva 90mm percebeu a outra modelo que acompanhava a sessão encostada na grande. A iluminação com as lâmpadas de tugstênio foi o que deu uma “esquentada” na pele da modelo. O filme usado foi o Fuji NPH 400, puxando para ISO 800.

Russo adverte que é preciso tomar um pouco de cuidado ao acender as luzes do ambiente, especialmente se estiver usando cromo, para que a temperatura de cor da luz não provoque dominantes de cores muito acentuadas. Lâmpadas fluorescentes domésticas devem estar sempre desligadas, pois deixam a pele esverdeada. Com uso de negativo ou câmera digital, que oferece ajuste de white balance, o problema não incomoda tanto.

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Luz rebatida no isopor

captura-de-tela-292A luz de flash rebatida no isopor oferece uma iluminação suave e envolve, “muito bonita para fotos de moda”, afirma Danilo Russo, que gosta e usa bastante esse esquema de luz. Para iluminar uma pessoa de corpo inteiro, é preciso rebater pelo menos quatro flash em duas placas de isopor de 3 x 1 m cada, dispostas lado a lado. Dois flashes devem ficar posicionados a 1,8 m de altura e os outros dois, a 2,5 m.

O modelo ficar a parir de 2 m de distância da luz o 2 m de distância do fundo. Na foto a esquerda, a luz incide no modelo lateralmente, o que dá maior volume. Uma parede branca do outro lado, a 2,5 m do modelo, funciona como um rebatedor e reduz o contraste no rosto. Na imagem à direita a luz é frontal, já que se trata de uma foto de beleza. Russo usou a mesma iluminação com quatro refletores de flash. “Paras as fotos de beauty, muitas vezes, rebater apenas duas fontes já é o suficiente”, afirma.

Nos dois ensaios, trabalhou com equipamento de 35mm: uma Nikon F4, com objetiva 80 mm f/1.8 e filme Fuji Provia ISO 100. A luz rebatida no isopor também pode ser usada para fotos de grupos, já que garante um campo de iluminação bem amplo. Nesse caso, a luz deve ser frontal ou em ângulo de 30°, pois se estiver na lateral alguém pode ficar na sombra. Russo explica que, para a luz rebatida funcionar bem é preciso dispor de flashes potentes, de pelo menos 400 watts cada.

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Iluminação para fotos de beleza

051213-pontodevista-rgb-pag-54-beauty_41captura-de-tela-297As fotos de beleza, ou beauty, com os closes de rosto, são usadas em editoriais e campanhas para marcas de cosmético. As modelos foram fotografadas com a Pentax 645 e lente 120 mm macro. Na imagem de capa, foi utilizado um hazy, de 1,8 x 1,2 m, a uma altura de 2 m, frontal e bem próximo ao rosto, cerca de 1 m de distância. “Também pode ser feito com a luz rebatida no isopor”, ensina.

Na imagem à esquerda a luz principal vem do mesmo hazy, de 1,8 x 1,2m, posicionado em ângulos de 45°, a 1,8 m de altura e 1,5 de distância. O efeito azulado é obtido com um filtro azul de correção para luz do tungstênio (full ou haif), colocando na frente de um refletor frontal à modelo. Essa luz secundária deve ficar 1 ponto mais fraca do que a luz principal para que o efeito azulado apareça somente nas partes de sombra.A luz do fundo em ambos os esquemas é mantida 1 ponto mais forte do que a luz principal.

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Luz contínua com lâmpada fluorescente

danilo_russo-48 danilo_russo-40Nestas duas fotos, Danilo Russo utilizou equipamento de iluminação com lâmpadas fluorescentes calibradas na temperatura de cor de 5.500 K, também conhecido com digital ligh. “Essa luz é suave, mas cria algumas sombras no assunto e chega pouco no fundo. Já é comum em cinema e tem sido muito usada em catálogos de moda, book e editorial”, diz.

Na imagem à esquerda, Russo alugou uma digital light Kino de 1,20 X 1,50 m, com oito lâmpadas de temperatura de cor de 4.500 K. O refletor ficou posicionado em ângulo de 45º, a 2 m de distância da modelo e a 2 m de altura.

Para a imagem à direita, Russo construiu seu próprio digital light, com um refletor de 1 X 1,60 m e lâmpadas fluorescentes Panasonic do tipo extra luz do dia. Gastou ao todo o mesmo do que um dia de aluguel do digital light Kino: R$ 500,00, que inclui a mão-de-obra do serralheiro.

A luz foi posicionada totalmente na lateral, também a 2 m de distância da modelo e a 2 m de altura, com um rebatedor de isopor do lado oposto para preencher as sombras e reduzir o contraste. Ambas as fotos foram registradas com a Pentax 645, objetiva 90 mm e filme Fuji NPS 160.

A Atek e a Maki dispõe de diversos modelos de digital light. A Atek trabalha com lâmpadas de temperatura de cor de 4.000 K ou 6.400 K, recomendadas para uso com câmeras digitais, que possuem o recurso de white balance. A Mako utiliza lâmpadas de 5.500 K, que, embora bem mais caras, permitem captura com digital ou filme.

 

Flash rebatido no teto

danilo_russo-42Neste ensaio, Danilo Russo optou por usar flash rebatido no teto. Foram utilizados 4 refletores dispostos na forma de um quadrado. Cada flash está colocado a uma altura de 3,5 m e distante um do outro cerca de 3 m. A luz rebatida no teto se espalha pelo ambiente e também ilumina o fundo.

A modelo tem liberdade de movimento, mas deve ficar posicionada, de preferência, no centro do quadrado, a cerca de 2 m de distância do fundo. Como opção, caso o fotógrafo queira mostrar mais detalhes da roupa, pode colocar uma sombrinha a 1 m de altura, para jogar uma luz de preenchimento frontal. Essa segunda luz deve ficar 1 ponto mais fraca do que a luz principal (se usar cromo ou digital) ou 2 pontos menos (se estiver usando negativo).

A câmera usada foio uma pentax 645 com objetiva 90mm e filme negativo Fuji NPS ISO 160. Esse esquema de iluminação também pode ser feito apenas com as duas tochas da frente. Nesse caso, é melhor escolher um fundo de cor clara ou usar uma terceira fonte voltada para o fundo.

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O contra luz como a luz principal

captura-de-tela-309O contraluz sempre foi usado na fotografia de moda e gente para criar uma luz de efeito no rosto ou nos cabelos. Mas o contraluz convencional, na lateral, com snoot ou colmeia, não tem sido usado ultimamente, segundo Danilo Russo.

Na imagem ao lado, o fotógrafo utiliza a contraluz de forma criativa, para obter um efeito de iluminação mais dramático e conceitual. “Essa iluminação foge do convencional e pode ser usada em um editorial de revista underground ou de moda alternativa”, sugere.

A luz principal (1 ponto a mais do que a regularem da máquina) vem de um refletor de colmeia (mas sem a colmeia) posicionado por trás do fundo preto de 3 m de altura. A modelo está a cerca de 2 m de distância. Uma pequena bandeira foi utilizada para não espirrar luz sobre o fundo.

Um refletor parabólico com difusor feito com papel vegetal foi colocado frontal à modelo para jogar uma luz de preenchimento 0,5 ponto mais fraca. A câmera usada foi uma Canon EOS 10 D com objetiva 50 mm.

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